quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

tese poética


não tente entender
o que é imprescindível sentir
mais da metade dos problemas
deixarão de existir...

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

aos emprenha-dores


a tendenciosa desconstrução da sagrada palavra
pelo imperativo cronológico dos calendários
tem como serventia o simples onerar dos diálogos
a viabilizar teses de monólogos com lucros fáceis
daqueles que cinicamente saqueiam o erário alheio
com a dúbia desfaçatez de suas gentis idoneidades
envoltas ao nefasto arsenal de verdades fabricadas
pelo curral seletivo do novelesco comando justiceiro
remanescentes protozoários da cova dos sacos velhos
os novos vulgo travestidos caçadores de si mesmos
devo confessar aos emprenhados garbos da moda
que nenhuma nudez ainda mesmo que castigada
cairá prostrada diante da pedra por vezes negada
ou sucumbirá as rijas reformas do tempo lascado
e confesso mais aos tais doutos das atrocidades
quem impõe a orgia das regras normalistas
ao tão sagrado direito da livre comunicação
emprenha o submundo lascivo de preconceitos
da platinada sifilítica venal cãibra waackiana
amordaçando a diversidade das redes coletivas
fomentando a obrigação do silêncio induzido
e quando não morre mesmo sem gerar substrato
envelhece na pobre refração de esticar rugas
impostas pelas maçanetas das portas do sucesso
combater a enrustida covardia dos bajuladores
faz parte da itinerante sentença de viver...
se é para escrever histórias de cunho conveniente
a casta dos emprenha-dores da infeliz castidade
prefiro rabiscar os colhões da estória revolucionária
pairado nas asas do audaz cavaleiro da esperança
a rascunhar o real pela retina janela de sonhar
o sonho da felicidade esta no plural dos coletivos
para ser feliz é preciso primeiro acender a cidade...


terça-feira, 12 de dezembro de 2017

aos condenadores


enquanto cobrirmos o mundo a olhos mesquinhos
num girar em torno das fúteis colunas socialites
seguiremos nesse vazio incauto e cego horizonte
a sufocar lastros culturais desencadeando exclusões
não se pode justificar o dolo com a imposição doutro
tão pouco disseminar ódio livre da pena punição
sempre que o tal dito cujo algoz sofre um ataque
o seu pequeno mundo próprio se torna ofegante
e a cada segundo seu entorno refém da retaliação
quando se parte da condenação do holocausto judeu
ao atentado das torres de hegemonia capitalista
tudo prepondera em fato atuante no foco sensacionalista
das lentes a estampar terrores nos seus desserviços
já no que diz respeito aos antigos e atuais massacres
indígenas, negros até o extermínio pela ira atômica
o viés nada em melancolia e já que o olho é oco e cauto
sobra impunidade pela ausência dos homens falantes...
a triste cidade beira o contagiante, pois se continuarmos
vamos facilmente estranhar o quanto é tão estranho
que apenas os revolucionários sejam diabos sanguinários
que suas utopias sociais sofram a crucificação diária
deste mundo travestido de santos coronéis generosos
que batizam escolas, bairros, ruas, praças, avenidas...
todo cinismo retrata a completa ausência do argumento
e toda violência é apenas o retrato capital do capital
numa desordenada geração em cadeia onde o resultado
resulta na exposta lotação de “pedrinhas e carandirus”...
o que acontece hoje nas cidades mais atrasadas
é o “breve” anos passado ao sul deste mundo afora
mas, como a nossa maquiada estúpida comunicação
é parte dessa formação de quadrilha colarinho-chique
nós nos tornamos vítimas dessa imposta sensação
de individual  ignorância estilo burguês contemporâneo
onde a nova toga seletiva é parte aliada da velha chibata
em seus costumes escravocratas de emprenhar grilhões
a escorar-se nos frios escombros dos sombrios calabouços
impondo confissões delatoras como verdades sem fatos
editando novamente a história em adultério digitalizado
mas devo confessar, somos nós os responsáveis por isso
e reafirmo: quem detesta pobre é classe média isso é medieval
estatística quase sempre torna a vida irrelevante e desumana
nesse inexplicável encantar-se pelo outro lado do rio...
o folclore é nossa raiz, nós somos o terreiro e o terraço
não temos que prestar serviço de reles repetidores do alheio
tão pouco sermos subservientes a certos proprietários vitalícios
talvez tolo seja acreditar que filosofia é a busca da verdade
quando o universo da veracidade mente descaradamente...

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

intimamente XIII


 
hei de extasiar os meus loucos delírios poéticos em cada poente olhar
pelos desnudos da liberdade dos mais íntimos escritos sentimentos
e ainda que arredio que estranho a muitos ou entranhado em poucos
possa esparramado sol descobrir em mim a sutil feliz cidade alheia
como aqueles que consolidam laços a construir pontes imaginárias
que nunca findam em abismos pelos vastos universos de abraços
numa fraterna explosão de apreços seguidos de beijos repaginados
e ainda que se sobrepese a carroça com essa desesperança imposta
ao açoite do chicote no lombo pelas ferraduras de encabrestar passos
ainda que pese o reboco da sombra dessas camufladas armas duras
que sorrateiramente amargas se acostumaram a circundar a palavra
nessas hereditárias e paralíticas praxes cegas de emprenhar escombros
num inútil escorar-se por intenções seletivas deprimentes e delatoras
por estes dias em que “executa dores” sumários castram a criação
com suas medíocres tramas desprovidas do ardente tramado amor
eis, que devo confessar aos meus amados e distintos interlocutores
que sinto a vida no pulso mutirão, no simples plural humanidade
pois pouco sei dos esboços dos traços desses tais suntuosos castelos
e muito menos dos seus habituais boçais a ostentar padrões fúteis
de uma solidão que serve de armadilha para o oco vazio d’alma
como aprendiz da terra batida, do logradouro aninhado das mãos
sei dos contos lavrados de limo, da lama que faz voltar o tempo
do barro encarnado de contar as girações banhadas de orvalho
e por ser irmanado das raízes, das nascentes, do cais das cores
gosto dos movimentos, da união pelas múltiplas diversidades
daqueles que tecem elos e fazem expandir a interlocução d’arte
dos que sabem chorar afluentes, pois antes aprenderam a sorrir
daqueles que abrigam amizades pela necessidade de emanar calor
dos que somam a multiplicar o hábito de alimentar a distribuição
daqueles que ensaiam o improvisado desejo a redistribuir encantos
              dos que por fim fazem o real cada vez mais próximo dos sonhos               
e se for para quedar entre aquele que só diz e o que nunca faz
prefiro a versão mão daqueles que guardam os calos da história......

sábado, 18 de fevereiro de 2017

sobre o neutro




como não enaltecer a estranha tão estimada arte
ainda que tenha sido posta a serviço de cama
a coma das antigas e novas monarquias impostas
em gélidos coices a dotes de perdurações precoces
devo confessar aos solitários burladores do tempo
que a sublime riqueza da arte esta na doação
que os palcos são relicários ninhos múltiplos
não há como negar nessa mãe sentença vida
que o lastro da energia é positivo ou negativo
já o neutro é feito muro para o escoro individual
não geram diálogos tão pouco opiniões divergentes
apenas escutam o lado vantajoso para confluir
feito sanguessugas no vazio roteiro abano de rabo
em reverência ao coito, na continência batida
devo confessar aos guardiões de sacos escrotais
que discordar abre caminhos em versos reticenciados
e tolas são as mentes estagnadas as rédeas do achar
que a ignorância não esta no ato de ignorar a si
e aos motes das cartas que não lhes são atraentes
que o ponto de vista dos cegos esta na bengala
o perigo de confundir a esmola com a benção
esta no árduo peso que se emprenha aos joelhos
talvez seja possível contar na precisão dos dedos
os raros artistas que não se julgam os tais os espertos
que não se misturam de prontidão as oligarquias
tão pouco necessitam pensar duas vezes sem piscar olhos
para aponta-las ou não como corjas de vagabundos
nada pode ser mais triste que a terrível constatação
arte e política entrelaçadas em fisiologismo de serventia
onde dificilmente a neutralidade artística se reconhece...

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

sobre verdades



talvez seja necessária a afirmação das dúvidas
para que sejam revistos certos conceitos pré-estabelecidos
por aqueles que detém o poder da tinta que consolida o som
preponderando-se como avaliza dores de destinos
nos seus bravateiros jargões revestidos pela chibata
seria como um mergulho profundo pela história dos homens
a indagar a morte antecipada de bruces de jonhs de gandhis
entre outros chicos assentados nos campos urbanos e rurais
mas é de vital importância estimar o valor da boa conduta
pela total e imprescindível abstenção dos olhares unânimes
acostumados pelo temporal a acreditar nas luzes artificiais
debruçados sobre verdades absolutas a pré-julgarem o alheio
sem nunca perceber que a realidade são fatos consumados
cabíveis a qualquer interpretação ainda que forjada ao coletivo
saber contestar o orador é fazer valer o exercício oração social
ninguém é alguém sozinho, tão pouco o dono da razão
subestimar a inteligência do outro emprenha redemoinhos
como no jogo entre cartas e fichas a correr sangue cifrado
porque a mão que se diz perfeita por vezes não resiste ao blefe...




terça-feira, 24 de janeiro de 2017

sobre a poesia


aaah, ser poeta!!! ser poeta é ser eterno em lastro apreendedor
ser lírico as tantas estâncias de amador a todas as portas abertas
é passar despercebido pelo duradouro exercício ciência da pá 
a multiplicar encantos da tão sábia e generosa paciência...
ser poeta, aaah, ser poeta!!! é não precisar do tempo preciso,
é reaprender a desfazer o feito, para refazê-lo novo a mente
novamente na contínua dança dos rastros aos caminhos dos pés.
aaah, ser poeta!!! ser poeta é atinar no vento,assoprar o alento
criar o pensamento, e num rompante recriar a imaginação
como quem refaz em zelo o momento de se azular de lua
para em pleno claro dia palavrar os intermináveis sonhos...
ser poeta, aaah, ser poeta!!! é ter e não manter a rima a mão
é traduzir o insólito e conseguir ser incondicionalmente cósmico
um despretensioso amante da cósmica poesia a unir versos...
aaah, ser poeta!!! ser poeta é impulso desatino de fazer poemas
de atravessar o passador poético pela infinita palavra dada
desalinhando o fio das próprias vestes até findar em novelo nu
no desvestir-se poeta para em loucura transmutar-se poesia...