quarta-feira, 14 de setembro de 2011

República Federativa do Barganhão




Barganhão uma terra de,
Oligarcas, filhotes e puxa sacos – tomo III




Episódio: Extra, extra, mesa de sinuca, muita tração pra pouco asfalto!
 Barganhão a terra das trincheiras, buracos e outros adereços.



Barganhão, terra dos buracos das mil e uma utilidades. Há mais tração do que asfalto no reinado! E se for contar que o pouco asfalto ainda divide lugar unha-a-unha encravada com os buracos, aí é que o negócio fica que nem cava que a cova é mais embaixo. E a festa tá pra começar... De resto, só resta um bolo de merda pra quem não fede nem cheira, e ainda é chegado em velhinho que distribui leitinho da sua fazenda de graça na merenda; e depois manda a conta pro “Fundo Leso Afundo Nosso Bolso”. Ah, esses velhinhos deviam largar o osso... Mas, voltando para as trações... Nunca na história de nenhum outro reino se viu tantos tracionados do ano; tudo novinho circulando pela prestação de juras galopantes de um amor bandido; um amor Mamado Confins, daquelas juras de sanguessuga; juras que amam e ao mesmo tempo lesam sem condolências. Aquelas que não se tratam de ser de um amor verdadeiro. Aquele amor sem fim e, sim, aquelas que tratam de dar fim no amor. Bem do tipo daquelas novelas dramalhões meximaianos que a Rede-mídia copia a rodo.

Outro dia diversos grupos de turistas de Varandeiro Parandor ficaram perplexos com a quantidade arrojadamente, crescentemente, final das frotas de tracionados nacionais e importados que trafegavam por Barganhão. Alguns barganhenses tinham em moda de boca um jargãozinho muquirana que dizia: “frota pra mim é mais de dez”; o que causou uma inveja de causa casual nos hermanos Varandoeiros, pois, ainda que as suas frotas de tracionados velhos fosse o fino trato, ver tanta tração nova era de encher os olhos! Mas, o que eles não sabiam, também, é que nos barganhenses o que enchia eram outras causas nas pernas das calças, como as diversas cauções que conformavam uma consolidada dívida de banco; que muitas vezes levam ao banco da praça, que nem a tal musiquinha; aquela mesmo, que a Rede-mídia, com seu chá de ferrugem para arruelas de cérebro em tela curta da pane de curto, fez uso para ganhar grande parte da grana dos endividados barganhenses; sempre lesados, porém, distintamente tracionados...

Na terra dos mil e um ditados é batata pra nascerem uns pezinhos muquiranas de ditadinhos ingratos! Por isso mesmo é que o fiel escudeiro das massas oprimidas, o sagaz paladino J. Spolleto, costumava espalhar por todos os cantos dos varais suspeitos de barganhas os miraculosos santinhos do grande mestre e sábio profeta Kuskuskintê, que sempre usou suas linhas para travar uma ferrenha luta contra os tais discursinhos medonhos de: “se o demo gosta, nóis há de gostar também, e deixa com a gente que a gente somos da moda; nóis tá de bobe, mas nóis tá ligado; a gente tamos na mídia do cabaré, porque o que é bom pra todo mundo é sempre o que o demo gosta, e assim que nóis pegar fogo, a gente saímos correndo pra rede de deus, uma dívida a mais ou a menos, não há de ser nada pra quem já esta endividado até o pescoço mesmo.”

Ah, mãezinha como é tão bela a vista das outras janelas! Mas fecha a fresta depressa, que cheiro ruim vem de festa...

Bem amigos da rede do balanço das bolas, todo cuidado que o saco é pelado e o frio seco congela... Por se tratar de um reino de paz, Barganhão nunca travou guerra com os reinos vizinhos, e sempre adotou a velha política da boa vizinhança: meto o dedo em ti porque posso; política esta, que só não era adotada com a não vizinha Amegéra Yankee, pois essa é o dedo e o umbigo do mundo inteiro e coisa boa só passa nela... E se é pra falar de coisa boa pra os afiliados da seita quantitativa, Barganhão tá dentro; e dentro, é dentro mesmo, no sentido real da palavra... bem assim completamente afundado, numa postura de quero todo seu clero... Ah, como eu quero, posso pecar pelos poros, mas, quero-quero, ai como te quero bem...

Mas, deixando as babas, as dedadas de lado e esse lero-lero furado... é justamente por isso que Barganhão se transformou no reino do esconderijo da cratera dos poros, uma verdadeira zona de buraco! Tem buracos suados pra todos os lados de todos os tipos e gostos! Buraquinhos mesa de sinuca; buracos sovaco de Casteleta; também, os famosos buracos trincheiras-agasalhos de rodas; e o mais novo lançamento, o ultra buracão cratera dos abraços nas trações ilimitadas! Outro dia qualquer, dois transeuntes barganhenses juraram, nos pés ajuntados de “Zé Maria”, que viram sete orientais entrando, clandestinamente, em Barganhão por via do mesmo buraco que engoliu uma ultra-tração de marca “Arromba-tsunami”, ou sei lá se era uma “Trazoutra-marola”, tudo marolinha, o que não vem ao caso... pois, o que interessa é que se trata, justamente, de um buracão cratera do fundo profundo; aquele que “caiu aqui e saiu do outro lado do mundo”! Tudo, sem o menor constrangimento! Um fato que causava revolta em outras etnias pela tamanha facilitação medonha de muro baixo das baixas fronteiras só pelo lado oriental, coisa igual a como que nem dançar quadrilha sob as leis do Centro Distrital Tração das Barganhas! Tudinho, em virtude da falta total de aparatos da força bruta à base de terrorismo psicológico, sem cobertura de tratamento pelos planos de saúde; ainda que contasse com a benevolência do sus-atentado federal poder e fora do alcance de qualquer Maria, fosse do ira já, pagando ou de graça; ou, nem mesmo, as de joelho nas escadas da penha; o que acarretava a sinistra trilha do sinistro seriado: “trilho por fora da lei - dei bobeira, me lesa que eu gosto”; das organizações, trato sem trato, contrato mas não pago. Tudo, num plim plim mágico da máscara do mister mascarado, porque a do zorro não esconde porra nenhuma! E conta com a gente, que a gente é dez, sem desconto! E se a gente não arruma por aqui, a gente importa de Sartana dos States!

Esse é o eterno girar de um círculo giratório vicioso, contabilizado pela globalização do mundo ácido letal contra o bolso da classe operária lenta; quase parada! O que gerava aquela revolta da gota aguardente, da quina sem prêmio, revolta de gíria rubra não das negras, mas, das tretas; revolta do revolucionário camaleão, o caleidoscopiano colorido das minorias, o incansável lutador pelas vias de esquerda, o grande defensor dos fracos operários, o mago dos magros; aquele que desconhece o medo de ter medo, camarada, companheiro: J. Spolleto, com seu cruzado contra grilos de gritos caretas...

Ah, bate-me daqui ou me bate de lá, que eu te capo com a capa do batman da butman...

Uma estória era contada “à boca pequena”, dessas que juram que nunca dizem nada, no quarto canto excluído de Barganhão, sobre um arrebatamento brutal de J. Spolleto contra o grande empresário do ramo das trações Mamando Confins. Pela primeira vez se viu o paladino perder a sua intitulada calma para um feroz ataque ultra-fumegante com esquerdos disparos de cuspe; pois J. Spolleto jamais andava armado, senão da sua língua dançarina super afinada contra o crime. E era justamente contra isso que fedia aos três cantos do reino de Barganão, que o paladino da justiça esbravejava.

Tratava-se do famoso golpe “catração de segurança”, lesa o operário que leva a tração e em seguida é seguido de perto pela segurança de catraca, empunhada de documentação seguradora que assegura por desvio de lei o direito de propriedade da transação. Um golpe de milhões, dinheiro para casta dos afiliados da seita quantitativa, e milhos em milhas de milhos para classe trabalhadora. Era tanto dinheiro que corria sem segurança nas mãos dos asseguradores da segurança, que ninguém entendia quem segurava nada ou quem nadava segurando tudo. Tão pouco sob o sacro direito das leis adquiridas para o desenvolvimento das bolinhas de melecas feitas a dedos leves de mãos ágeis, contra ou a favor das biodiversidades locais, sazonais ou não, para o nosso São João... Cozinha e assa o milho que o povo chupa o sabugo todo sem cuspir veneno!

E discurso vai, discussão vem, foi que o fato crucial se deu quando J. Spolleto fechou o cerco sem cerca de choque pra cima das tropas de elite do empresário Mamando Confins, sempre de lucro assegurado e fácil; usando o seu ágil cruzado de esquerda das partes de baixa seguradora, foi uma seqüência fora do jogo de buraco de Jonh Casteleta. Era bog-sim e outro bog também, e foi tanto bog que Mamando Confins acabou mamando sem mamadeira, pelo menos uma meia dúzia de seis dentes, e que o marmanjo quis dar a entender que eram de leite; mas que J. Spolleto fez questão de provar o contrário, comemorando a parcial vitoria com um puro e forte café expresso com direito a longas baforadas no seu legítimo charuto la havana del Cuba; justamente na cantina do Centro Distrital Tração das Barganhas, que desde de então passou a passar por uma sinistra sindicância do herói paladino das minorias sem tração.

E restou a Mamando Confins a recuperação dos dentes perdidos, assobiando na cana à moda de samba do poeta da noite, mestre Batista (Oh, meu nego onde anda você?).

E Musiquinha neles Barganhão...

“siricutrico, sacatraca do urubu
siricutrico, nacatraca do urubu
ela brigou comigo
falou que ia dar pros cachorros comer
e eu fiquei apavorado sem saber o que fazer,
eu tava debaixo do pé de jaca
a esperar jaqueline quando a jaca caiu
já que caiu é minha, oh! no, se a jaca caiu é minha
já que caiu é minha, oi! yes, se a jaca caiu é minha
siricutrico...”



Uma estória de ficção, toda e qualquer semelhança
com a realidade trata-se de mera coincidência.




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