sábado, 18 de fevereiro de 2017

sobre o neutro




como não enaltecer a estranha tão estimada arte
ainda que tenha sido posta a serviço de cama
a coma das antigas e novas monarquias impostas
em gélidos coices a dotes de perdurações precoces
devo confessar aos solitários burladores do tempo
que a sublime riqueza da arte esta na doação
que os palcos são relicários ninhos múltiplos
não há como negar nessa mãe sentença vida
que o lastro da energia é positivo ou negativo
já o neutro é feito muro para o escoro individual
não geram diálogos tão pouco opiniões divergentes
apenas escutam o lado vantajoso para confluir
feito sanguessugas no vazio roteiro abano de rabo
em reverência ao coito, na continência batida
devo confessar aos guardiões de sacos escrotais
que discordar abre caminhos em versos reticenciados
e tolas são as mentes estagnadas as rédeas do achar
que a ignorância não esta no ato de ignorar a si
e aos motes das cartas que não lhes são atraentes
que o ponto de vista dos cegos esta na bengala
o perigo de confundir a esmola com a benção
esta no árduo peso que se emprenha aos joelhos
talvez seja possível contar na precisão dos dedos
os raros artistas que não se julgam os tais os espertos
que não se misturam de prontidão as oligarquias
tão pouco necessitam pensar duas vezes sem piscar olhos
para aponta-las ou não como corjas de vagabundos
nada pode ser mais triste que a terrível constatação
arte e política entrelaçadas em fisiologismo de serventia
onde dificilmente a neutralidade artística se reconhece...

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