segunda-feira, 4 de junho de 2012

sobre versões


no barro de terra cota rascunho detalhes no olhar
ah as minhas saudades! gosto de tê-las ao tempo
até perder o tempo como quem repassa a vastidão
há tantas saudades por sentir no oco pensamento
que aprendi arar horas, pingar gotas tecendo ar
pelos serenos dedilhados acolhedores de madrigal
sou dos sentimentos, me agrada refazer começos  
planto magoas pelo aterro, rego o preparo da cor
pra logo vê-las brotando flores de todos os nomes
no recanto sertão das lembranças embrenhadas
tenho o meu amor de poeira assoprado na saliva
onde guardo o quinhão da chuva de matar sede
e num dia azulado de tanto sol, hei de desaguar
tenho fome de vida! a minha sentença é viver!
da valentia de corisco inté o calcanhar de dadá
sigo escutando as ladainhas nas atuais revistas
que insistem em copiar ditos de velhas retóricas
introduzindo a desarte aos punhados de versões
capazes de encher os seus próprios latifúndios
sem nunca transbordar e saciar sonhos alheios

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