quinta-feira, 5 de junho de 2014

quarador


a falta de sentido em todo seu descompasso
cabe no louco precipício incontido da poesia
o verso é livre absorto de regras ou rimas
nos meus íntimos aprendizados de rimador
descobri como quarar canções desarrimadas
é necessário tocar o que se fala ainda que não veja
para enxergar sentindo intensamente o que se toca
o aquecimento da lembrança contorna sol ao noturno
lembrar é ação acomodada tal qual fogueira sazonal
na reação contínua do esquecimento individual
sei ser poeta no alheado pensamento esquecido
pois aprendi a lançar no tempo semente de giração
muito pouco me interessa a teor cidade gramatical
o teorema matemático perfeito pra resoluções vazias
quase e sempre as teorias são como horas lançadas
no vago de não render um poema ao recreativo ócio
toda palavra é grávida no singular exercício
de doar o seu coletivo de letras pelo universo
o pouco que sei sobre a ciência da cigarra
me faz morrer sinfonia cantada nos varais
renascendo quintal no cordel umbilical do mundo

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