sábado, 10 de fevereiro de 2018

camufla-dor




muitas vezes a beleza inanimada dos galhos
que secam seus ramos a germinar paisagens
serve de arrimo as despercebidas folhas secas
que por horas bailam a retratar coloridos rastros
a rodopiar pegadas no vento que regeneram os dias
como se disfarçassem ao chão lembranças outonais
aos olhares que tardam no repouso afago de um abraço
e põem-se a detalhar a quase imperceptível pulsação
reproduzida milhares de vezes nas asas dos colibris
que chegam e vão numa revoada que poucos percebem
por ser aprendiz do tempo sei dos ensinamentos
de brotar palavras na mão para alimentar os diálogos
de deixar no sonho minhas vestes de camuflar a dor
aprendi que o sorriso abriga ao lado sua itinerante tristeza
ainda que estranho sejam os lastros dessa íntima  amizade
nessas duras e intensas alternâncias dos sentimentos
a feliz cidade é solidaria ação de contemplar o outro lado
num alastrar-se por todos os caminhos de não findar
e sem a menor necessidade das explicações cobradas
retorna feito mãe giração em forma de reticências...
devo confessar como quem rascunha detalhes
que passar  pelos intermináveis muros individuais
deixando digitais como abrigo sublinhado em seu reboco
faz entranhar a graça repaginando a arte dos coletivos

0 comentários:

Postar um comentário