sexta-feira, 29 de julho de 2011

pé no mundo



faço da ausência do vento um suave
momento de alento em meu vasto peito,
pelo ar que guardo em meus pulmões
sopro um pote de letras de minha coleção,
guardado numa aquarela de sete cores
no fim do arco-íris e abro um caminho
no tempo com meu mágico imaginário pincel


quarta-feira, 27 de julho de 2011

rua anda


toda rua tem um dono
dita rua anda daqui
dita rua anda de lá
os becos abrigam uns

terça-feira, 26 de julho de 2011

tantas coisas


tocamos tantas coisas sem olhar
olhamos tantas coisas sem tocar
mas um facho de luz dentro da noite
iluminou você e eu notei
na fina transparência uma beleza
rosto da mulher que eu sonhei
falamos tantas coisas sem sentir
sentimos tantas coisas sem falar
mas um raio de sol no infinito
mostrou os nossos corpos a rolar
você pode olhar e também me tocar
posso então sentir e também lhe falar
eu tenho tantas coisas pra falar
mas as palavras fogem na hora
me resta só telefonar e dizer
amo você

domingo, 24 de julho de 2011

venda-se

há uma cara lenda com cara de venda
que vende a triste ideia que as lendas
são coisas do imaginário de cada um
e que só tem alguma serventia de peso
se tiver como provar de papél passado
triste mundo real que se diz ser de graça
mas, que sua única graça é a de ser ingrata
pela certeza de não ter graça nenhuma
artes por artes, restar artes

quinta-feira, 21 de julho de 2011

frio

o frio não resiste a dois

quarta-feira, 20 de julho de 2011

luz, câmera, ...


 
uns usam o poder de imunidade da filiação parlamentar
roubam, lesam, matam e chamam vítimas de meliantes
uns usam o sacro-santo direito do perjúrio em defesa
e seguem a transgredir acobertados pela comunicação
todo tempo todo, infinito tempo, tempo de pão e circo
vamos deixar de lado a hipocrisia das regras baratas
e todas as suas devidas prostradas exceções à parte
o partindo do princípio que, os reles pressupostos de
bobo é o tolo que acha que os tolos é que são bobos
que não fazem bom uso das palavras, da imaginação
digo apenas que, talvez, não lhes caiba "feeling" ação

segunda-feira, 18 de julho de 2011

abismo


sinto que algo parou diante de um premeditado silêncio
que tolice! nada pára, tudo continua seguindo, indo, ido
com ou sem rumo certo, tudo continua em seguimento
o triste é perceber que a escolha não é direito de todos
a imposição inerente a tolos às vezes é alheia a vontade
se pudesse escolher talvez  não quisesse a sensibilidade
minha percepção muitas vezes machuca a mim, a outrem 
é como rasgar a pele na flor cortante despida dos buquês
sentir! é correr o risco constante do abraço gélido da dor
ainda sim continuo acreditando no exercício do institual
não há como desfazer palavras já derramadas ou ditas
tão pouco furtar-se delas num estanque, gera o abismo
da mesma forma que sinto em mim o vazio da falta
tenho certeza que a mesma falta esvazia o outro de mim